sábado, 3 de abril de 2010

é abril, meu bem, é chegado o abril... onde andas? ao menos percebes os ventos já vindos? invasores, adentram janelas, derrubam estatuetas de gesso, desfolham livros, levam coisas, mas trazem na volta os idos de qualquer outrora. e não me importo que me levem as coisas, ou que tragam o que quiserem: tudo passa e perpassa, o vento vem e leva o que quer, já nem seguro sequer o que seria meu, sequer o que com ele vem: economizo forças sabe-se lá pro quê! o vento... ele tá aqui agora, passa por mim, acaricia-me o pescoço, mexe em meus cabelos... ele tá aqui e comprova que "o essencial é invisível aos olhos", carícia gatuna e gratuiuta! tudo o que venho sentindo é como ele. não! ele ao menos se move, deixa marcas. meu sentimento, não. ai, já não sei se sinto ou adoeço (preciso expelir o corpo estranho que se move aqui por dentro, como um feto que pesa e precisa sair de num abdômen: ganha vida e destinos próprios... já não quero controlá-lo!), porque penso, ao invés de soprar teus cabelos e pescoço e lábios. e será que conseguiria sentir, apenas? preciso dos ventos pra me inspirar, preciso me encorajar e ser como eles, livres... e por serem livres carregam, derrubam, destroem tudo aquilo que precisa ser carregado, derubado, destruído. preciso saber se querers que te carregue (economizo forças), enquanto me derrubo e destruo tudo em volta. não quero mais nada, desde que próxima, muito próxima já estive de ti e do teu abraço. não agi, sou matéria enrigecida, e matéria pesada, por isso ventos só me cercam, me lambem as ideias, não me levam até ti: me cortam, me contorço de horror ou gozo, ainda não sei, não decidi. em tempo hábil. e ainda não é tempo, creio, de deixar jorrar qualquer coisa disso tudo. só quando eu puder, meu bem, sorrir.

1 pitacos:

Karen Raquel disse...

"Lindona, teus escritos estão a cada dia mais lindos e profundos e, muitas vezes, doídos,pois tocam nas feridas abertas de corações solitários..."

Beijos